segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Outras Terras, Outros Sons - Resumo

Outras Terras, Outros Sons

ALMEIDA, Berenice; PUCCI, Magda.
São Paulo: Callis, 2003


A música como instrumento de educação

As crianças e os jovens necessitam do desenvolvimento de diversas capacidades para que enfrentem os desafios do mundo hoje e no futuro. Entre essas diversas capacidades, podemos ressaltar três delas como importantes: o deslumbramento com o aprender, o conhecimento de si mesmo e o conhecimento e respeito do outro.

Pelo trabalho com a educação musical através de sons de outras terras, os alunos passam a se apropriar de sua cultura e a respeitar as demais.

A música é um bom recurso educativo para que educadores possam desenvolver aspectos importantes na formação da personalidade das crianças e, além disso, a música pode auxiliar em novas aprendizagens. Com o trabalho musical podemos aflorar nos alunos, entre outros fatores, os seguintes:

- A concentração;
- A Imaginação;
- As possibilidades expressivas.

O livro “Outras terras, outros sons”, tem como ideia central a educação musical através da reflexão sobre a pluralidade cultural. Pela diversidade musical, os alunos ampliarão seus horizontes, passarão a valorizar outras culturas e a compreenderão respeitando-as. O projeto do livro propõe o conhecimento histórico, cultural e musical de outros povos.

O multiculturalismo na educação musical

Diversos aspectos do multiculturalismo podem ser abordados na educação, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais. Todos nós temos a necessidade de compreender outras culturas para ampliar nossos horizontes.

Se verificarmos o que é realizado nas escolas na área de educação musical, vemos que a música brasileira abordada não possui seus elementos genuinamente brasileiros. Infelizmente, não é dado o devido espaço para particularidades regionais e étnicas. Isso traz uma grande perda, pois ao se compreender a nossa diversidade cultural estamos devidamente preparados para “enveredar” por outras terras, outros sons, sem haver perdas da nossa identidade.

Multiculturalismo como fenômeno

Quando se vivencia a música e sua pluralidade é preciso entender as várias expressões que fazem a união e os confrontos entre os povos. Mas, infelizmente, hoje o que se vê é um tratamento preconceituoso às expressões culturais de outros povos.

A educação musical tem como um dos seus maiores desafios o encontro de formas criativas de aproximação da diversidade cultural sem cair em folclorismos vistos com preconceito. Todas as manifestações culturais cabem na educação, incluindo o folclore e não apenas ele.

O fundamental é compreender quem realmente somos com um olhar investigativo. Precisamos conhecer e ouvir músicas de etnias que formaram a cultura brasileira estando atentos às suas particularidades.

O multiculturalismo é item da história do Brasil e é muito importante compreendermos o outro para compreender a nós mesmos, fugindo de concepções antigas ou arraigadas.

A música dos povos

Introdução aos conceitos que permeiam a música étnica

Através de uma reflexão sobre a música étnica, o professor poderá fomentar um debate acerca de um pensamento que não existe um tipo de música melhor ou pior que outro, mas sim a presença de uma variedade que faz com que cada uma delas tenha singularidade.

O significado da palavra etnia está relacionado à raça e povo. Portanto, música étnica condiz a raças, povos e etnias. Estamos refletindo sobre uma música que está calcada nas tradições e raízes de um povo. Por algum tempo, uma maneira de definição da música étnica era um tipo música de desvinculada à indústria fonográfica. Outra definição de música que estava distante dos veículos de comunicação. Essa ideia não existe mais e foi derrubada, pois temos a oportunidade de ouvir a música produzida em qualquer lugar do mundo em nossa casa ou encontrá-la em lojas de discos, documentários de TV, etc.

Poderá acontecer o evento de algum aluno ter estranhamento à música africana ou indígena. A postura do professor não deverá ser punição e sim a ele carecerá desenvolver estratégias para instigar reflexões úteis para a vida do aluno e para a educação musical. A busca pelo conhecimento deverá ter caráter aberto e investigativo.

Durante os estudos de música étnica, não podemos nos ater a autores e suas biografias, mas na procura de entendimento sobre o universo que cercava aquelas formas musicais e estaremos, assim, formando o gosto estético dos alunos.

Aos educadores, durante o estudo da música, compete a busca pela compreensão de diversas formas e de que maneiras elas podem ser utilizadas em sala de aula.

Um breve histórico sobre a etnomusicologia

A etnomusicologia consiste no estudo da música de diferentes povos, e sendo assim, é o estudo das etnias musicais. O termo “música étnica” conglomera termos como música folclórica, de raiz, tradicional etc. A música étnica apresenta aspectos que envolvem religiosidade e profano, o anonimato ou autoria das canções, a forma lúdica ou rígida, o ritualismo, os momentos de iniciação etc. A música também pode ser produzida de modo espontâneo ou induzida, coletivo ou individual. Ela pode ter múltiplos significados e funções.
Em cada uma dessas músicas, se encontra um etnos particular, uma essência e personalidade única, sempre relacionadas a um povo, lugar ou função. A música étnica possui componentes universais, que são agradáveis aos ouvidos contemporâneos.

As questões essenciais atualmente estudadas pelos etnomusicólogos são:

 A universalidade da música – os etnomusicólogos buscam focalizar na análise musical de diferentes culturas, estruturas básicas que aparecem em todas as músicas;

 As existências de intercâmbio étnico musical – as trocas culturais são importantes e enriquecedoras para a música popular;

 A contextualização – é preciso vincular o estudo da música ao contexto não apenas social e econômico, mas também ao seu relacionamento com a mitologia e a simbologia.

A misturança étnica na música brasileira

Há muito na música brasileira que precisamos conhecer. Precisamos conhecer o outro, aquilo que não é daqui e veio para cá, possibilitando-nos um olhar diferente sobre as manifestações musicais brasileiras.

A música brasileira não pode ser definida como música de um só tipo, pois há a grande “misturança” étnica, ficando impossível falar dela no singular de tão plural que ela é.

O livro propõe aos educadores um estudo de elementos da música dos povos que fizeram parte da nossa formação étnica, que são os índios, portugueses e africanos, demonstrando enfoques acentuados de cada etnia musical.

Apresentação das atividades

O livro traz atividades que são propostas através da seguinte divisão:

 Audição comentada de um CD de apoio do professor (que acompanha o livro);

 Contextualização através de um número significativo de informações sobre as etnias;

 Prática vocal e prática instrumental para o desenvolvimento do repertório sugerido.

O livro também é dividido em três momentos. Estes momentos trazem dados relevantes das nossas etnias formadoras. São eles:

 Momento indígena;

 Momento português;

 Momento africano.

A música indígena

A música indígena está completamente voltada para a vida em sociedade, sendo presente em todos os rituais. A música indígena tem forte relação com elementos da natureza e a temática religiosa.

Entre as várias características da música indígena podemos elencar:

 A forma cíclica – melodia que se repete criando um estado de transe nos rituais;

 O modalismo – as melodias não possuem a referência tonal-harmônico característica da música ocidental;

 A presença do pulso marcado sistematicamente – geralmente é marcada com os pés e maracas, dando um caráter hipnótico à música.

Timbre anasalado

O pesquisador Mario de Andrade identificou o uso do timbre nasal usado pelas várias raças indígenas percebeu que esta característica permanece na voz brasileira.

Instrumentos musicais

Os instrumentos musicais indígenas podem ser divididos em instrumentos de percussão e de sopro.

 Percussão - sua função vai além de marcar o ritmo e sim provocar um certo estado de transe. Muito utilizada na cultura brasileira e em outras culturas do mundo. Divide-se em chocalhos e tambores.

- Chocalhos – existem vários tipos como os globulares, os de fieira, os de vara e os tubulares. Exemplo: Maracá e paus-de-chuva.

- Tambores – geralmente são cobertos por pele animal, porém existem os de cerâmica, de troncos ocos ou escavados que podem ser percutidos com ossos ou baquetas de madeira. Exemplo: tambor de carapaça de tartaruga, tambor de fenda, etc.

 Instrumentos de sopro – possuem um estilo místico no imaginário indígena. Podem ser produzidos de bambu, madeira, cabaças e até mesmo de ossos. As flautas são muito utilizadas pelos índios, existindo diversos tipos como as nasais, transversais sem orifícios, ocarinas, retas com orifícios, flauta de pan com vários tubos, toré etc.

Danças

As danças têm um caráter ritualístico para os índios. As danças dos índios servem para celebrar momentos importantes da comunidade como, por exemplo, a colheita, a caça e os rituais de passagem. A ornamentação nestas danças é fundamental através do uso de brincos, cocares, colares e até mesmo a pintura corporal. As danças geralmente são realizadas no coletivo e em formato circular, sendo binárias. Exemplo: Toré, Xondaro etc. Várias
danças do Brasil foram influenciadas pelas danças indígenas como a Catira e o Caboclinho.

A música portuguesa

A música portuguesa vai muito além do conhecido fado, tão divulgado aqui no Brasil pela mídia. Podemos encontrar na cultura portuguesa as baladas épicas, os cantos de trabalho em terças paralelas, danças, romances e villancicos, cantos de pastoras, o repertório de guitarra portuguesa e as melodias do fado e modinhas seresteiras.

Referências portuguesas na música brasileira

 Perfil melódico – na maioria das canções brasileiras vemos um caráter harmônico próximo da forma portuguesa de se compor.

 Melodias com quadraturas estróficas – as quadrinhas estão evidentes no nosso repertório de parlendas, histórias, e cantigas.
Folguedos

Vários folguedos do Brasil tiveram origem nas danças portuguesas, sendo elas as populares e profanas até os autos religiosos. Podemos citar:

 Pastoris - folguedo que descreve a viagem dos pastores à Belém enquanto cantam e contam o nascimento de Jesus. Com o passar do tempo os pastoris passaram a incorporar elementos profanos.

 Reisados – auto popular que tem origem nas festas portuguesas chamadas Janeiras e Reis. São cortejos realizados em períodos natalinos e apresenta vários episódios com temas profanos e religiosos. Dentre eles está o bumba meu boi.

- Bumba meu boi – festa popular realizada em várias regiões do Brasil. É bem-humorada e bem rica em sua simbologia. Há após as visitas festivas às famílias amigas a encenação cômica do enredo de Catirina e Pai Francisco, onde ela grávida deseja comer boi. O boi é morto e após tentativas de pajés, o boi ressuscita para a alegria de todos.

Danças

Diversas danças influenciaram a cultura do Brasil, dentre elas podemos destacar:

 Ciranda – dança de roda popular no Brasil que antigamente era dançada pelos adultos trabalhadores do campo. Muito difundida no Norte e Nordeste do Brasil. Existem dois tipos de ciranda: a praieira nordestina e a do sudeste.

 Cacuriá – depois da Procissão do Divino, na festa dos pratos, os maranhenses dançam o cacuriá. Mesmo sendo dançada após a Festa do Divino tem caráter profano.

Instrumentos musicais

A maioria dos instrumentos de cordas brasileiros utilizados até hoje tem origem portuguesa.

- Cordas portuguesas

 Violão – é o mais conhecido instrumento brasileiro presente em gêneros musicais como choro, MPB, samba etc.

 Viola – conhecida como viola caipira pertence à música sertaneja.

 Cavaquinho – possui quatro cordas e é usado em choros, moçambiques, fandangos e congadas brasileiras.

 Rabeca – espécie de violino rústico usada pelos cantadores de cordel nordestino em Folias do Divino, no moçambique e em fandangos.

- Percussão

 Pandeirão-adufe – pandeiro quadrado sem platinela encontrado em alguns folguedos brasileiros.

 Caixas – usadas nas festas do Divino, cacuriá, cocos, congadas e maracatus. Também conhecidas como alfaias. A diferença entre a caixa usadas nas fanfarras e as alfaias está na presença nas caixas de esteiras na parte inferior do instrumento que dá caráter militar.

A música africana

A música para os africanos integra a vida social e religiosa, e tem como sentido básico a comunicação, sendo ela espiritual, mística ou cotidiana.

O modo africano de se lidar com a música é muito peculiar, pois ela faz parte da vida da sociedade e esta é uma das características mais marcantes do continente.

Sua polirritmia é rica e complexa, sendo composta por tambores de diversos tipos e tamanhos. Podemos nela notar:

 A suavidade das kalimbas que ilustram as histórias infantis;

 A sonoridade única do canto contrapontístico dos pigmeus que se funde ao som de insetos da floresta;

 O som das Koras de Mali que pode se fundir a outros instrumentos de cordas ocidentais.

Referências africanas na música brasileira

 Ritmo
Os elementos que compõem os ritmos africanos foram incorporados à música brasileira. Isso é visível em manifestações populares como o samba, o bumba meu boi etc.

 Canto
O canto responsorial, onde há uma alternância entre o solista e o coro, é uma das formas mais características do canto africano. O puxador, cantador ou mestre é designado como o responsável pelo canto inicial e o coro pode ser acompanhado por instrumentos musicais.

 Dança e música
A dança e a música possuem direta conexão com a cultura africana, fato este também visto na música brasileira. Exemplo: congadas, maracatu, capoeira etc.

Instrumentos musicais

A maioria dos instrumentos de percussão utilizados no Brasil é de origem africana. Podemos citar:

 Atabaque – utilizado em terreiros de candomblé;

 Cuíca – também conhecido como puíta ou tambor de onça, imita o som de boi;

 Zabumba – é um tambor largo que usa baqueta para ser tocado e produz som grave. Utilizado nos forrós, baiões e xotes nordestinos;

 Pandeiro – tem platinelas e é o símbolo do samba brasileiro. Também utilizado no fandango;

 Pandeirão – não tem platinelas, tem diâmetro maior, é utilizado no Boi do Maranhão;

 Tamborim – é um tambor pequeno tocado com baqueta dupla, utilizado nas escolas de samba;

 Agogô – utilizado no samba e no maracatu e produz duas notas;

 Reco-reco – raspador de madeira ou metal usado em várias partes do Brasil;

 Caxixi – chocalho cheio de sementes e que se juntou ao berimbau;

 Ganzá – chocalho feito de metal que acompanha o pulso da música;

 Xequerê – chocalho com sementes fora da cabaça;

 Berimbau – utilizado na capoeira, acompanhado pelo caxixi e tem origem angolana;

 Kalimba - conhecida também como sanza ou piano de cuia, feita de cabaça ou madeira com lâminas de ferro percutidas com os dedos;

 Marimba e xilofone – instrumentos formados por placas de madeira (que formam o teclado) de diferentes tamanhos percutidos com baquetas. Embaixo dessas placas há tubos ou caixas de madeira;

 Orocongo - conhecido como urucungo é o ancestral do violino e possui apenas uma corda.

Observações

Ao final do livro encontramos várias partituras comentadas das músicas selecionadas e que se encontram no CD de apoio ao professor. Também encontramos uma sugestão de bibliografia e de discografia que poderão servir instrumento de pesquisa na ampliação dos conhecimentos musicais.

.

.


4 comentários:

  1. Gostei, parabéns. Me interessei em adquir o livro

    ResponderExcluir
  2. Gostei, parabéns. Me interessei em adquir o livro

    ResponderExcluir
  3. Excelente! O livro deve ser bastante informativo e rico me instigou a vontade de lê-lo!

    ResponderExcluir